O sargento reformado da Polícia Militar acusado de tentar matar a esposa a pauladas vai a júri popular (veja vídeo acima). Ainda não há uma data definida para o julgamento de Numeriano Luiz de Sá, que era secretário de Esportes de Lazer da cidade de Calumbi, no Sertão de Pernambuco, quando espancou a vítima com um bastão de madeira num apartamento no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife.
Ele foi exonerado do cargo três dias após o crime, teve a arma apreendida e segue preso no Centro de Reeducação da Polícia Militar (Creed), em Abreu e Lima, no Grande Recife. A decisão do juiz Rodrigo Ramos foi anunciada na primeira audiência do caso, realizada na terça-feira (21) na 3ª Vara do Tribunal do Júri, no Fórum Thomaz de Aquino, no bairro de Joana Bezerra, na área central do Recife.
A vítima, Luísa Barros, estava em tratamento de um câncer no fígado e se abaixou para pegar um remédio quando foi agredida por Numeriano na cabeça. Ela foi resgatada por um vizinho que ouviu os gritos de socorro. A mulher recebeu 40 pontos no rosto, teve dois dentes quebrados e passou por cirurgia de reconstrução facial.
Luísa Barros foi a primeira a ser ouvida na audiência do caso, falando por cerca de duas horas. Em entrevista à TV Globo, a vítima disse que é um desgaste relembrar a violência que sofreu, mas destacou a busca por justiça.
"Para mim, está sendo desafiador, que eu tenho que relatar tudo, como aconteceu. Eu o amava, acreditava nele, e tudo aconteceu de uma forma que eu jamais imaginei. Eu tenho toda confiança, porque foi um crime, um crime bárbaro, ele foi cruel, ele foi perverso, ele foi covarde. E a justiça, com fé em Deus, será feita", disse Luísa Barros.
Ela declarou, ainda, que se sente insegura. "Eu temo pela minha segurança e a segurança de meus filhos e peço a justiça que não solte a minha mão nem de todas as mulheres que passam por isso", afirmou.
Luísa Barros é viúva e tem uma renda por conta do primeiro casamento. Ela passou 22 anos casada com Numeriano Luiz de Sá, que não aceitava não ter controle dos bens da agora ex-esposa, de acordo com a advogada da vítima, Manuela Magalhães.
O agressor também foi ouvido pela Justiça, por videoconferência, diretamente do presídio. Além dele, foram colhidos os depoimentos de 14 pessoas, sendo seis testemunhas do acusado e outras oito apresentadas pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), autor da denúncia.
